O artigo traz o conceito de tecnologia solidária e aborda os desafios do cooperativismo digital no Brasil.
No cenário pós pandêmico, a plataformização do trabalho teve uma aceleração predatória. Servindo à lógica capitalista de trabalho e de consumo, as plataformas digitais convencionais trouxeram tensões para coletivos de trabalhadores e trabalhadoras. Nesse sentido, além ameaçar a soberania de dados, o estudo chama atenção para o fato de que tecnologias convencionais podem dificultar o estabelecimento de trocas solidárias.
O artigo publicado na revista acadêmica “Internet Policy Review” faz uma síntese do contexto histórico e político da Economia Solidária no Brasil. O texto também fala dos desafios enfrentados na engenharia de tecnologias sociais e solidárias, conceito que traz uma proposta alternativa ao modelo capitalista de tecnologia. No artigo, Celso Alexandre Alvear, Marcelo Souza, Camilla de Godoi e Flávio Chedid apresentaram um estudo de caso do plug-in SEMENTES (Sistema de Cestas Agroecológicas e de Grupos de Consumo Responsável).
Uma tecnologia solidária
O Sementes foi desenvolvido por meio da parceria entre o TICDEMOS (NIDES/UFRJ), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a cooperativa EITA. Os/as pesquisadores/as apresentaram o contexto de desenvolvimento e de uso da ferramenta:
A tecnologia solidária Sementes vem facilitando a gestão coletiva das ferramentas de comercialização de cinco grupos de consumo responsável, localizados nos estados do Rio Grande do Sul, Pará, Goiás e Minas Gerais; e duas lojas Armazém do Campo, localizadas no Paraná e no Distrito Federal. (ALVEAR; SOUZA; GODOI; HENRIQUES, 2026). (Tradução própria)
Construído em software livre, o plug-in Sementes surgiu como resposta às dificuldades enfrentadas na cadeia de produção e comercialização de cestas agroecológicas. Apesar disso, o estudo traz uma reflexão sobre o contraste entre os ganhos e o enfraquecimento que a digitalização provoca em contextos de trocas solidárias. O diálogo e o engajamento com um dos espaços de comercialização de produtos do MST contribuiu para o estudo realizado.
Além de chamar a atenção para a abordagem sociotécnica utilizada no desenvolvimento do Sementes, os/as autores/as destacaram a importância dos princípios da Economia Solidária para a sua construção:
Ao utilizar a abordagem da Tecnologia Solidária para seu desenvolvimento, ela conseguiu avançar em questões importantes relacionadas à adequação sociotécnica, especialmente no que diz respeito à usabilidade da ferramenta por produtores e clientes. (ALVEAR; SOUZA; GODOI; HENRIQUES, 2026). (Tradução própria)
O artigo foi publicado em inglês, na revista “Internet Policy Review“. Disponível nesse link: https://policyreview.info/articles/analysis/platform-cooperativism-brazilian-solidarity-economy. Para traduzir o texto para o português, sugiro o uso da ferramenta de tradução do seu navegador.
Recentemente, a plataforma Transforma! Rede de Tecnologias Sociais, também concedeu ao Sementes o reconhecimento de tecnologia social. Acesse o Manual Básico de Uso do plug-in Sementes.




